segunda-feira, 7 de abril de 2008

Dia Mundial da Saúde

Celebra-se hoje, dia 7 de Abril, o Dia Mundial da Saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para o facto do aquecimento global trazer sérios problemas para a saúde pública de todos os países. Margaret Chan, directora-geral da OMS, afirma que as alterações climáticas colocarão em risco as populações de todo o mundo. Para além de outras situações graves, a poluição do ar contribuirá para aumentar os casos de asma, bronquites e outros problemas respiratórios, bem como as alergias.

É muito importante que, todos os dias, as nossas acções ajudem a salvar a terra, impedindo a poluição e as suas consequências para a saúde de todos nós.

Sugestão de leitura

Guia do Jovem Consumidor Ecológico, de John Elkington e Julia Hailes, publicado pela Gradiva.

Um livro que nos ensina a cuidar da Terra, nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia.


A nossa saúde depende da saúde do nosso planeta...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

2 de Abril - Dia Internacional do Livro Infantil


Hoje comemora-se o Dia Internacional do Livro Infantil. Esta data foi escolhida como homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, que nasceu neste dia, em 1805.
A data é comemorada em mais de 60 países e é uma tentativa de despertar nas crianças o interesse pela literatura.

Os livros são os meus olhos mágicos

Há muito, muito tempo, vivia na Índia antiga um rapaz chamado Kapil. Além de gostar muito de ler, era extremamente curioso. Tinha a cabeça cheia de perguntas. Por que motivo o Sol era redondo e por que mudava a Lua de forma? Por que cresciam tanto as árvores? E por que razão as estrelas não caíam do céu?
Kapil procurava as respostas em livros de folha de palmeira escritos por homens sábios. E lia todos os livros que encontrava.
Ora, um dia, estava Kapil ocupado a ler quando a mãe lhe deu um embrulho e disse: «Arruma o livro e leva esta comida ao teu pai. Já deve estar cheio de fome.»
Kapil levantou-se com o livro na mão e fez-se ao caminho. Enquanto percorria o duro e acidentado trilho que atravessava a floresta, não parava de ler. De súbito, o seu pé bateu numa pedra. Tropeçou e caiu. E logo um dedo começou a sangrar. Kapil ergueu-se do chão e continuou a caminhar e a ler, com os olhos colados ao livro. Não tardou a bater noutra pedra e, uma vez mais, estatelou-se. Desta feita doeu-lhe mais, mas o texto escrito em folha de palmeira fê-lo esquecer as feridas.
De repente, um clarão surgiu e ouviu-se um riso melodioso. Kapil levantou os olhos e deparou com uma formosa senhora, vestindo um sari branco. Ela sorria e uma auréola de luz rodeava-lhe a cabeça. Estava sentada num cisne branco e gracioso. Numa das mãos trazia um luminoso rolo de pergaminho. Com outras duas segurava um instrumento de cordas chamado veena. Estendeu a quarta mão para o rapaz e disse: «Meu filho, estou impressionada com a tua sede de conhecimento. Quero dar-te uma recompensa. Qual é o teu maior desejo?»
Kapil pestanejou de espanto. Diante dele encontrava-se Saraswati, a Deusa do estudo. No instante seguinte, o rapaz cruzou as mãos, fez uma vénia e murmurou: «Por favor, Deusa, dá-me um segundo par de olhos para os pés, a fim de que eu possa ler enquanto caminho.»
«Assim seja» – e a Deusa abençoou-o. Tocou na cabeça de Kapil e a seguir desapareceu entre as nuvens.
Kapil olhou para baixo. Um segundo par de olhos brilhava-lhe nos pés e ele deu um salto de alegria. Logo a seguir, fixou os olhos no livro e desatou a caminhar pela floresta, apenas conduzido pelos seus pés.
Graças ao amor pelos livros, Kapil cresceu e tornou-se um dos sábios mais ilustres da Índia. Em toda a parte era conhecido pela sua imensa sabedoria. Também lhe puseram outro nome, Chakshupad, que em sânscrito significa «aquele cujos pés têm olhos».
Saraswati é a deusa do estudo e do saber, da música e da fala.
Esta é uma antiga lenda indiana sobre um rapaz que descobriu como o saber é transmitido pelas palavras, essas palavras que os homens sábios escreviam em manuscritos de folhas de palmeira.
Os livros são os nossos olhos mágicos. Dão-nos informação e conhecimentos e servem-nos de guias nos difíceis e acidentados caminhos da vida.

De MANORAMA JAFA (tradução: José António Gomes)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Dia Mundial da Poesia - 21 de Março

"Uma árvore ou um poema podem ainda mudar o mundo."
Eugénio de Andrade



É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor,
é urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dia do Pai

(imagem retirada de http://troll-urbano.weblog.com.pt/arquivo/pai%20e%20filho.jpg)

« Descansa, pai, dorme pequenino, que levo o teu nome e as tuas certezas e os teus sonhos no espaço dos meus. Descansa, não vou deixar que te aconteça mal. Não se aflija, pai. Sou forte nesta terra dos meus pés. Sou capaz e vou trabalhar e vou trazer de novo aqui o mundo que foi nosso. Vou mesmo, pai. o mundo solar. Reconhecê-lo-ei, porque não o esqueci. E também o tempo será de novo,e também a vida. Sem ti e sempre contigo. A tua voz a dizer orienta-te, rapaz. Não se apoquente, pai. Eu oriento-me. Pai, não se preocupe comigo. Eu oriento-me. E vou. anoitece a estrada no que sobra da manhã. Chove sol luz onde está o que os meus olhos vêem. A carrinha grande que prometeste, que planeaste para nós, que ganhaste a trabalhar meses leva-me.Onde estás, pai, que me deixaste só a gritar onde estás? Na angústia, preciso de te ouvir, preciso que me estendas a mão. E nunca mais nunca mais. Pai. Dorme, pequenino, que foste tanto. E espeta-se-me no peito nunca mais te poder ouvir ver tocar. Pai, onde estiveres, dorme agora. Menino. Eras um pouco muito de mim. Descansa, pai. Ficou o teu sorriso no que não esqueço, ficaste todo em mim. Pai. Nunca esquecerei.»

in Morreste-me de José Luís Peixoto
(Morreste-me é um livro escrito em memória do seu pai, José João Serrano Peixoto)

JOSÉ LUÍS PEIXOTO
José Luís Peixoto nasceu em 1974 (Galveias, Ponte de Sor). Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês e Alemão) pela Universidade Nova de Lisboa. Tem publicado poesia e prosa. Recebeu o Prémio Jovens Criadores (área de literatura) nos anos 97, 98 e 2000. Em 2001, o seu romance «Nenhum Olhar» recebeu o Prémio Literário José Saramago. Está representado em diversas antologias de prosa e de poesia nacionais e estrangeiras. É colaborador de diversas publicações nacionais e estrangeiras. Em 2005, escreveu as peças de teatro «Anathema» (estreada no Theatre de la Bastille, Paris) e «À Manhã» (estreado no Teatro São Luiz, Lisboa).

OBRAS PUBLICADAS:
  • Morreste-me (ficção, 2000)
  • Nenhum olhar (romance, 2000)
  • A Criança em Ruínas (poesia, 2001)
  • Uma Casa na Escuridão (romance, 2002)
  • A Casa, a Escuridão (poesia, 2002)
  • Antídoto (ficção, 2003)
  • Cemitério de Pianos (romance, 2006)
Veja mais sobre este autor em http://www.joseluispeixoto.net



José Luís Peixoto na apresentação do seu livro "Cemitério de Pianos", na FNAC.

terça-feira, 18 de março de 2008

A palavra

A palavra lança-se como um barco vazio
de uma matéria frágil que palpita
e não sabe o seu rumo e no entanto vai
vogando entre sombras e nuvens

António Ramos Rosa